Mãe

A jovem ajoelhada, aguardava o pôr do sol no leito do Guaíba. Atrás de si, a Igreja das Dores paria suas torres com a ajuda de escravos. As marteladas da obra acompanhavam o subir e descer de seu peito, o vento do fim de julho tocava-lhe o rosto em um esforço frívolo de secar o suor que grudava as vestes tingidas por sangue na pele cor de ébano e também misturava-se ao líquido fresco ainda a escorrer por suas pernas. Em suas mãos, um amontoado de panos se movimentava e gritava até dormir com o horizonte ao ser afundado no lago e a jovem transformar o Guaíba em água salgada. Uma senhora chegou quando o sol recolhia seus últimos raios, ela sacudiu a moça, enquanto dava olhadas rápidas para o guarda a poucos passos de distância. Os olhos marejados da velha de outro continente questionavam porquê. A mãe respondeu:

— Eles já tinham sete.

O guarda chegou e perguntou o que. A mãe colocou-se na frente da décima segunda filha e respondeu:

— Nada, meu senhor, apenas um animal morto.


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